Mês: janeiro 2016

O retrocesso do MEC

Essa é uma carta para os que apoiam o atual Ministro da Educação.

Expresso aqui minha opinião sobre a enrascada que estamos com o Mercadante como Ministro da Educação.

Para introdução, peço que leiam a reportagem: http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,mec-estuda-separar-enem-entre-prova-de-certificacao-e-vestibular,10000006759

A reportagem diz claramente que ele quer dividir o ENEM em 2 porque acha injusto que uma prova tão difícil seja usada como certificação do Ensino Médio, mas que ela pode ser usada como vestibular. Na minha interpretação, isso significa que o caminho do ENEM é mascarar o péssimo resultado das escolas públicas, além de reforçar que a entrada nas Universidades públicas será feita prioritariamente através de 2 sistemas: mérito em uma prova difícil (alunos de escolas particulares) e cotas (que não incluem cotas para pobres).

Em prol de apresentar um resultado numericamente maior, provoca-se o retrocesso no sistema de ingresso a Universidades. É o retorno ao vestibular que fizemos na década de 1990.

Na semana passada tive uma longa reunião com o Prof. Frederic Litto. Ele é presidente da Associação Brasileira de Ensino a Distância, professor emérito da faculdade de educação da USP e um dos fundadores da Escola do Futuro (iniciativa da USP para estudo e pesquisa em metodologias educacionais).

Durante a reunião ele apresentou um estudo dele que indica um caminho bem interessante: hoje temos 85% dos professores atuando em escolas públicas no Brasil (Ensino Básico). O problema é que 85% dos novos formandos em licenciatura e Pedagogia estudam em Universidades particulares, que não são obrigadas pelo MEC a fazer pesquisa. As únicas universidades de educação que fazem pesquisa são as públicas. E adivinha onde nascem as inovações educacionais? Nas Universidades públicas. E onde os professores formados poe ela vão trabalhar? Nas escolas particulares. Por quê? Porque as escolas particulares cobram mais inovação e pagam mais.

Esse ciclo vicioso provoca o aumento da disparidade no resultado dos alunos. Se o ENEM for desmembrado, o abismo será coberto com dados fictícios, já que os alunos das escolas particulares não precisarão fazer mais o exame. As escolas públicas serão comparadas com elas mesmas. Será como eleger o mais são do hospício, ou o mais culto do baile funk, ou o saudável da UTI.

O caminho não é esse, maquiando os dados do sistema. É preciso obrigar que os alunos das Universidades públicas paguem pelo seu estudo com estágios obrigatórios em escolas públicas. É preciso ter metas, medir o resultado e cobrar ações (assim como a legislação educacional prevê). É necessário que o professor seja reconhecido e remunerado pelo seu desempenho e não pelo tempo de “trabalho”.

Sugiro que todos apertem o cinto e fiquem de olho na educação do nosso país. O Mercadante é o ministro de número 63 (incluindo os interinos) em 83 anos de história do MEC. Em média um ministro fica 1,4 anos no cargo. Vamos torcer para que o tempo passe rápido.

 

 

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