Experiência com a marca

Marca é um dos ativos mais difíceis de se medir em uma empresa. Fatores internos e externos influenciam o valor da marca diariamente. Um funcionário insatisfeito, um rumor de mercado sobre sua responsabilidade social, uma prova que a empresa atende mal ou uma promessa não cumprida podem derrubar o valor da marca. Ao mesmo tempo, ações concretas de respeito ao meio ambiente, inovação constante, conteúdo relevante e marketing de relacionamento levantam a moral e o valor da marca.

O problema é que uma empresa quase nunca consegue equilibrar a gangorra. A solução é criar ações de marketing que justifiquem o valor da marca, que muitas vezes está ligada a sua inovação. E isso a Nike faz com primor. Ela é mais uma empresa que aposta na conexão com os consumidores, na experiência presencial, olho no olho. E quando ela conseque conectar isso aos garotos propaganda, o caminho parece sem volta.

A inovação da vez é a sua barbearia, que já está funcionando em Madri, Milão, Paris, Moscou, Cidade do México e Buenos Aires. Você pode cortar seu cabelo de graça, escutar boa música e jogar um videogame.

Boa pedida!

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(vi no Box1824)

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Evolução da espécie

Segundo minha definição, evoluir significa se tornar diferente para sobreviver a novas condições impostas. Para alguns evoluir significa estacionar, assim não são percebidos e consequentemente incomodados. Para outros significa ver o a Terra girar e se agarrar a algo que ainda os deixam seguros, como um eterno emprego público, um bem material (seja ele casa ou automóvel) ou a alguém. Porém, uma grande massa acredita que evoluir significa aprender, inovar, fazer diferente.

Talvez seja por isso que as girafas tenham pescoços tão grandes, afinal elas passaram a disputar folhas com poucos concorrentes, ou os cachorros domésticos tenham ficado tão espertos, afinal assim eles ganham mais biscoitos especiais.

Com os humanos a evolução também não para. A Box1824 lançou no final de 2010 um belo vídeo chamado We all want to be young, que conta sobre o nascimento de uma nova geração. Milhões de pessoas já viram, se identificaram ou quiseram mudar de geração. Mas isso é questão de comportamento.

Ontem eles lançaram um novo vídeo chamado All work and all play, que usa a mesma linguagem para contar como essa nova geração se relaciona com o mercado de trabalho.

Vale a pena ver os dois, na sequência. Eles são narrados em inglês mas ganharam legendas em português.

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We all want to be young (veja primeiro)

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All work and all play

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O valor de uma boa ideia

Empresas que escutam os funcionários geralmente ganham mais. Usei o termo “geralmente” porque isso depende da disponibilidade da audição. Se o programa foi criado para atender uma necessidade de gestão, com foco específico de economia de custos, inovação ou melhoria de processos, tudo indica que as ideias serão aproveitadas. Caso o programa precise atender as necessidades de apenas uma área da empresa, e essa não se comunicar com outra, as ideias estão fadadas ao ostracismo.

Há histórias clássicas de projetos bem sucedidos que foram feitos com as opiniões de funcionários, como a colocação de ventiladores no final da linha de embalagem para que as caixas vazias voem, ou o redesenho de pequenas peças de uma máquina para melhorar o processo de produção. O interessante é pensar que empresas clássicas demoram muitos anos para perceber o valor das ideias de seus funcionários.

A Boeing descobriu a pouco tempo. Leia a boa reportagem do Wall Street Journal sobre as inovações implantadas na fábrica da Boeing e perceba como ações simples podem trazer benefícios para uma empresa:

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Empresas são fonte de ideias da Boeing

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Máquinas perfeitas para o varejo

Desde criança escuto que o homem será substituído pela máquina, mas sempre desconfiei dessa afirmação. Continuo forte com minhas convicções de que nossa capacidade de atendimento e improvisação é insubstituível, mas cada dia que passa a tecnologia ajuda a criar produtos que facilitam nosso dia-a-dia.

Em minhas viagens gostaria de ter tido a oportunidade de esbarrar com máquinas como essa. Aliás, vi uma em funcionamento nos EUA para venda de cosméticos. A novidade para mim é a pizza. Essa solução cairia muito bem nos péssimos aeroportos brasileiros. Pelo menos você poderia comprar comida a qualquer hora do dia.

Vejam os vídeos abaixo para entender o que a Smart4Retail criou.

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Let’s Pizza

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Smartpoint

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Shop2Go

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Textos que gostaria de ter escrito

O artigo sobre Responsabilidade Social Corporativa publicado pelo Knowledge Wharton, e distribuído em português pela Universia, é uma aula do que precisamos levar para a Rio+20 e demais fóruns de debates sobre meio ambiente. Na minha opinião não há respeito ao meio ambiente sem que as relações sociais sejam levadas a sério.

Escrevi aqui sobre os casos da Nike, Zara e Apple, que representam empresas que não levam a sério sua responsabilidade social corporativa.

Não deixe de ler o artigo. É longo mas vale a pena.

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A batalha pela usabilidade

Talvez usabilidade seja a palavra mais feia que eu já escrevi ou falei. No meio de tantos adjetivos com pronúncia mais simples, escolhi um que apresenta boa estética quando escrita, mas é de difícil leitura. Mas ele será necessário para as ideias que virão a seguir.

Apesar de ser pedagogo, dou minhas pitadas em outras áreas. E o design não é diferente. Curioso é falar sobre design mesmo sem saber desenhar nada mais do que bonecos feitos de palitos, não saber usar softwares de edição de imagem e não ter um mísero estudo formal sobre a área. Mesmo assim, lá vai a minha teoria:

Ao longo do tempo o mundo se separou em duas escolas de design: os que abusam da complexidade, botões, vincos, curvas, cores e formas, contra os que oferecem design limpo, claro e intuitivo. Elas estão presentes em quase tudo que consumimos. Vejamos os automóveis como exemplo: os alemães (Volks, Audi e Porshe) abusam da quantidade de botões, enquanto os japoneses (Toyota e Honda) economizam e simplificam a vida do motorista. Tudo bem, a falta de botões traz um ar espartano para o automóvel, mas quando a busca é pela economia e durabilidade eles podem ser colocados de lado.

Essas escolas também são percebidas em celulares. Depois de algum tempo lidando com botões, a Apple lançou o iPhone, que revolucionou a maneira com que nos relacionamos com o telefone. Aliás, o dispositivo virou tudo, e até um telefone. Os manuais foram abandonados e a intuição ocupa cada vez mais espaço na elaboração de softwares, dispositivos eletrônicos, eletrodomésticos e até automóveis.

Seguindo a onda da usabilidade, passamos a perceber que gostamos mais do que é fácil de usar, simples de entender e menos complexo para explicar. Nessa carona trago abaixo dois exemplos.

Vale a visita para entender como eles funcionam. E se você tiver uma ideia mais simples, é só compartilhar.

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1 – Sob a criação do designer Ishac Bertran, um software que revoluciona o conceito de mobilidade de conteúdo, justamente pela sua forma simples de usar (veja aqui)

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2 – Um scanner simples, barato e que está sendo feito sob demanda a partir de crowfunding (veja aqui).

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A luta pela estratégia correta

Desde o início do ano assistimos resultados empresas privadas que surpreenderam os consumidores. Em janeiro a Kodak avisou para o mercado que estava em rota de falência, fato que se consumou pouco depois (veja aqui). Depois presenciamos a Amazon, um dos maiores sites de e-commerce do mundo, mudar sua estratégia de entrada no Brasil (veja aqui). Por fim estamos de frente ao que parece ser a última saída da RIM, fabricante do BlackBerry (veja aqui a notícia publicada no Meio & Mensagem).

É interessante perceber que empresas de setores diferentes, mas que lidam com tecnologia no seu dia-a-dia, encontram como principal desafio a rapidez e inovação da concorrência. No caso da Kodak, ela viu o tempo passar e sua estrutura burocrática e engessada a tornaram um paquiderme manobrando em um campo de roseiras. Com a Amazon imperou o desconhecimento do mercado e a concorrência que ataca ferozmente com os formatos tradicionais para bloquear sua entrada no Brasil.

O problema enfrentado pela RIM parece ser uma mescla: a empresa tem um espaço de tempo muito grande entre o lançamento de produtos inovadores. Como o público consumidor de tecnologia é cada vez mais ávido por lançamentos breves, espaços de mais de 2 anos entre saltos de tecnologia podem significar a morte da empresa. A isso deve-se aliar o fato da concorrência atuar cada vez mais no mercado que a RIM investe pesadamente seus sistemas de segurança: os países emergentes.

O que ainda aproxima a RIM da Kodak são seus ativos em patentes, mas o que as diferenciam são o dinheiro em caixa. A Kodak demorou demais para reagir e não conseguiu salvar seu negócio. A RIM possui caixa o suficiente para dar mais uma cartada. Depois disso pode ser que ela não consiga sobreviver. Com a Amazon o caixa não é o problema, mas sim o atraso na entrada em países emergentes. Os novos mercados podem ser dominados exatamente com aqueles que aprenderam com seu modelo. A partir daí ficaria muito mais caro para ela entrar no mercado, o que significa mais uma barreira de entrada.

Lutar pela estratégia correta é como um malabarista de pratos, onde todos precisam ficar em pé ao mesmo tempo. O olhar no fluxo de caixa, nos concorrentes, nos novos entrantes, na execução da estratégia e na inovação devem estar presentes em todos os Planejamentos Estratégicos de empresas, não importa seu segmento.

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