Aprenda com quem fez

Está na hora de aprendermos mais com quem fez. A Apple disponibilizou no iTunes 7 entrevistas que o Steve Jobs concedeu a partir de 2003. É um grande aprendizado entender mais o que passa pela mente inovadora dessa personalidade que ajudou a mudar o conceito de uso da tecnologia.

Não perca tempo! Vamos aprender!

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Steve Jobs at the D: All Things Digital Conference (Video) (Audio)

 

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Brincadeira para aprender

Uma das brincadeiras mais intrigantes para mim é o avião de papel. Desde criança me entretenho com a folha de papel, que pode voar, se dobrada e transformada em avião de papel, ou cair, se amassada e transformada em bola. De uma única fonte podemos ter usos diferentes, sem precisar rasgar, cortar ou colar apetrechos.

Nas aulas de física consegui entender o princípio  aerodinâmica e comparar com o formato da asa do avião de papel, ou de um carro de corrida. O equilíbrio perfeito está no formato da asa, na velocidade e em qual efeito queremos produzir. Um bom exemplo é a diferença entre o aerofólio de um Fórmula Indy que corre em circuitos de rua e em circuitos ovais. No primeiro precisa-se de controle para fazer curvas fechadas e manter o carro colado no chão em acelerações rápidas, enquanto em circuitos ovais busca-se apenas a velocidade.

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O legal é perceber que os aviões de papel passaram a ser coisa séria, com campeonatos e estudos científicos para provar que determinada dobradura traz mais estabilidade ou velocidade ao artefato. E o mais legal é ver como esse conceito foi levado para as escolas.

Veja o site do The Paper Airplane Guy, que tem um material bem legal sobre aviões de papel, dobraduras, vídeos e textos, e depois leia sua entrevista para o Makezine, um belo site para quem produz materiais ideias.

Depois disso saia produzindo aviões de papel e distribua mensagens positivas!

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Falta muito para o nosso futebol

Os problemas com a organização da Copa do Mundo representam apenas uma face da falta de profissionalismo do nosso futebol. A certeza da impunidade e a gastança com o dinheiro público, que é meu e seu, transformou a Copa da iniciativa privada na Copa com 95% das obras financiadas pelo Governo. Além disso estádios não ficarão prontos para a Copa das Confederações, outros estão ameaçados de não ficarem prontos para o evento principal, em junho de 2014, e as obras de mobilidade urbana realmente ficarão para trás.

A outra face é a gestão dos nossos clubes. Confundimos adversários com inimigos, disputa com vencer a qualquer custo e preferimos buscar soluções isoladas a negociar em conjunto. Com o Clube dos 13 as cotas de patrocínio da TV foram negociadas em conjunto com a Globo por anos, em contratos que garantiam adiantamento de pagamentos de parcelas, o que ajudou e muito sua manutenção. Com a exigência da elaboração de contratos individuais, foi uma correria para garantir com a Globo vantagens exclusivas para clubes. Esse fato fortalece poucos e enfraquece muitos.

Para o pequeno grupo fortalecido a vantagem financeira é clara: grandes clubes de São Paulo e do Rio de Janeiro garantiram aumento superior a 50% frente ao contrato anterior. Para o grande grupo enfraquecido restou aceitar condições secundárias, com contratos mais baratos. O problema é que sem a maioria pobre não há campeonato disputado, estádios cheios, mobilização nacional e a consequência é a polarização da disputa e o enfraquecimento do futebol nacional.

O jornal Meio e Mensagem publicou ontem que a receita em marketing dos 20 maiores clubes do Brasil somaram R$ 385,2 milhões (veja aqui). Transformando em dólares, multiplicando por 32 clubes e considerando 5 anos com a mesma receita, temos o total de U$ 1.540 bi.

No dia 3 de abril desse ano a NFL, liga norte americana de Futebol Americano, apresentou sua nova coleção de uniformes (veja a notícia aqui). Diferente do Brasil, a liga negocia os uniformes de todos os clubes com apenas um fornecedor. A Nike, nova patrocinadora, pagará U$ 1,5 bi para vestir os 32 clubes.

Vejam bem senhores: a NFL fez a mesma receita em uniformes que o nosso futebol fez em todo o seu plano de marketing, que inclui camisas com tanto patrocínio que parecem álbuns de figurinhas, venda de produtos em lojas especiais, licenciamento de placas e outras propagandas em estádios e cotas para a televisão, que rendem a maior parte da receita.

Estamos anos luz atrás da NFL. E não há uma fagulha de esperança que algo mudará.

Uma pena.

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Lição de liderança

Diferente do péssimo exemplo de liderança que o mundo assistiu no fatídico naufrágio do Costa Concórdia (veja aqui), essa semana o Guardiola, técnico do Barcelona, se despediu da torcida. Seu discurso é arrebatador e sua liderança é visível. Mas bom mesmo é observar o respeito dele com as tradições locais.

Isso tudo depois do Barcelona ter perdido o campeonato nacional e a Copa dos Campeões. Líderes são embedidos de respeito, reconhecimento e verdade.

Veja na reportagem veiculada no Globo Esporte, edição de São Paulo, do dia 08 de maio. Lição para todos:

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http://globotv.globo.com/rede-globo/globo-esporte-sp/v/veja-o-discurso-de-guardiola-no-barcelona-em-sua-despedida-da-torcida-no-camp-nou/1938052/

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Os perigos da escola

Passei longos anos da minha vida pensando em formas mais inteligentes e econômicas para proteger crianças em colégios. Pesquisa de novos materiais, investimento em produtos de limpeza mais eficientes e menos tóxicos, reformas e construções planejadas para diminuir riscos de acidentes, treinamentos para professores e auxiliares, proteção em quinas e pisos especiais etc.

Todos que trabalham em escolas ou tem filhos pequenos sabem do que estou falando. Nossas casas ganham travas para gavetas, espumas nas quinas e chaves em portas e armários. Isso sem falar sobre brincadeiras proibidas, como com fogo, facas e ferramentas.

Descobri alguém que pensa ao contrário e que, de certa parte, me convenceu. Aqui está o Gever Tulley, fundador da Tinkering School, e suas apresentações no TED. Vejam os dois videos para entender o que faz essa incrível escola. Depois, repensem a proteção dos seus filhos e alunos.

A escola mais perigosa é a cerceia a liberdade de pensamento, criatividade e ação de seus alunos.

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PS: Estou em busca de um sócio visionário para algo assim, livre, incomum. Algo como uma criança ou um adolescente gostam.

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Vi no Brasil 247.

Ainda pagamos pelos escravos

O último livro do Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, O Sonho do Celta, aborda a história do irlandês Roger Casement, que foi cônsul britânico e viajou pela África e América do Sul (Peru, Colômbia e Brasil) nos anos 1900. O Sr. Casement presenciou atrocidades mil contra negros africanos e índios sul americanos, que eram obrigados a extrair ouro no Congo, ou borracha na Amazônia, e vender a preço abaixo do que a dignidade humana permite. Isso quando o pagamento era apenas manter sua família viva, sem estupros, mutilações ou escravidão (como se essas ações não configurassem escravidão).

Os erros encontrados ultrapassavam as atrocidades físicas e chegavam ao golpe do peso, onde a balança era sempre adulterada para enganar os negros e índios, ao sequestro de familiares para garantir a produção e a tortura psicológica como forma de opressão, principalmente ao expor os habitantes locais a condições sub humanas de sobrivivência.

O Sr. Casement presenciou atos de escravidão na Amazônia brasileira 20 anos após a abolição dos escravos, em uma terra que existia apenas no papel e em mapas imprecisos. Hoje temos mapas precisos mas suponho que as terras do extremo norte e noroeste do nosso país continuem esquecidas. Vale lembrar que o Piauí é responsável por 0,5% do nosso PIB.

Toda a produção de ouro do Congo era mantida por empresas inglesas, que também eram sócias da extração de borracha da Amazônia. É claro que elas eram levadas para a Europa e vendidas com lucros absurdos aos nobres e a classe média emergente, em uma sociedade que se preparava para o primeiro boom de crescimento industrial, que se deu antes da 1a. Guerra Mundial.

Passados 100 anos podemos assegurar que não passamos mais por isso. Estamos em um mundo mais informado, consciente, conectado. A classe média atual, seja qual for seu país, sabe se o produto que consome faz bem para a saúde, se a empresa que o produz tem boa reputação e, entrando na onda do meio ambiente, se ela tem responsabilidade sócio-ambiental. Errado.

Os maus exemplos não param de surgir. A Nike passou décadas tentando se livrar de denúncias fundamentadas sobre trabalho escravo e uso de produtos tóxicos na fabricação de seus tênis (veja aqui). A Zara usa trabalho escravo no Brasil e em outras partes do mundo e se recusa a fazer acordo de ajuste de conduta com o Ministério do Trabalho no nosso país (veja aqui). A Apple fabrica seus iPods, iPhones e iPads em fábricas que tratam mal e pagam salários irrisórios para seus funcionários (veja aqui). E o Congo, que esteve na rota do Sr. Casement, volta ao noticiário por entrar novamente na rota da crueldade.

Em recente reportagem, o The New York Times publicou relatório da ONG Global Witness, que afirma que minérios raros que são utilizados na fabricação de iPhones e outros equipamentos com telas especiais, são extraídos no Congo por empresas de fachada, que são mantidas por rebeldes que usam o dinheiro para comprar armas e oprimir a população (veja aqui). Mais uma vez uma maioria é tratada como escravos, enquanto uma minora controla e oprime, uma minoria ainda menor compra a matéria prima e a transforma em produtos que são comprados por milhões de consumidores, que pagam fortunas que compõe o lucros dessa pequena minoria.

Aparentemente os fabricantes fecham os olhos para essas atrocidades (suspeito que devem bloquear tanto o sol quanto minha filha de 2 anos, quando cobre seus olhos com as mãos). Aparentemente o consumidor está pouco ligando para o que acontece onde ele não pode ver. Enquanto lutamos para comprar produtos socialmente responsáveis a preços justos, os fabricantes exploram a base da pirâmide da mesma maneira que faziam em 1900.

Qual é a nossa real responsabilidade nisso? Não comprar ou pressionar os governantes para uma regra mundial de produção e comércio responsável? A Rio+20 está batendo em nossas portas para fazer mais fumaça do que ações verdadeiras?

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