A hora é agora!

No dia 5 de dezembro do ano passado publiquei texto sobre duas economistas do MIT, Abhijit Banerjee e Esther Duflo, e sua pesquisa sobre a erradicação da pobreza. Em determinado momento da apresentação, Duflo afirma que falar bem de educação pode ampliar em até 40 anos a escolaridade de uma população (veja aqui). O Chile já partiu na frente, e eu também já falei disso aqui.

Ontem o site Update or Die publicou uma excelente iniciativa feita em Nova York, que aliou design com o pensamento do professor. O resultado é fantástico! Veja exemplo abaixo e leia o artigo: Um redesign para o esteriótipo dos professores

Será que chegou a hora de fazermos o mesmo no Brasil?

Indignados de plantão, entrem em contato comigo para iniciarmos um trabalho relevante para nossa educação, independente de governos e gigantes educacionais privados!

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O mesmo para o Brasil

Não tenho comentários, apenas uma pergunta: o que está escrito no artigo do The Atlantic, criticando a educação americana frente a finlandesa, não vale para o Brasil?

Leia e descubra:

http://www.theatlantic.com/national/archive/2011/12/what-americans-keep-ignoring-about-finlands-school-success/250564/

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Clipping

Agora você poderá acessar meu clipping de notícias através do meu site. Ele é atualizado diariamente e para recebê-lo basta cadastrar seu e-mail.

Abri uma nova área no menu do site (acima) para facilitar o acesso ao clipping.

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Descubra o que eu leio e estudo e participe mais das discussões.

Todos os caminhos caminho levam a Educação a Distância

Mesmo depois de alguns anos de grande investimento em Educação a Distância, feitos quase exclusivamente por grupos privados, parece que a tendência não é modismo. Lamentamos o fato do MEC confundir qualidade com infraestrutura, bons professores com quantidade de diplomas e certificação profissional com conhecimento atestado com certificados.

Estamos caminhando rapidamente para a pluralidade de meios na Educação a Distância, com a velocidade que o mercado pode impulsionar e, ao mesmo tempo, o MEC endurece, com a força da caneta, as regras que dizem que apenas uma instituição, autorizada por eles, pode dizer se você é ou não capaz de fazer algo, de pensar diferente, de produzir saber.

Hoje o grupo Abril Educação comprou parte da Escola Satélite, empresa que dispõe de um canal por satélite que trafega apenas conteúdo educacional. A Abril Educação abre uma janela em 30 milhões de lares brasileiros para levar seus conteúdos, sejam eles formais ou não, para os cantos mais distantes ou próximos da sua casa.

Veja abaixo o comunicado publicado na Comissão de Valores Mobiliários e tente compreender onde podemos chegar.

Que venha o futuro do conhecimento pelo sabor da curiosidade, pela vontade de aprender!

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ABRIL EDUCAÇÃO S.A.
CNPJ/MF nº 02.541.982/0001-54
NIRE 3530017583-2
Companhia Aberta de Capital Autorizado
FATO RELEVANTE
INVESTIMENTO NA ESCOLA SATÉLITE S.A.
Abril Educação S.A (“Companhia”), em atendimento ao disposto no §4º do Art. 157 da Lei nº
6.404/76 e na Instrução CVM 358/02, conforme alterados, vem a público informar que nesta data a
sua subsidiária CAEP – Central Abril Educação e Participações Ltda. (“CAEP”) celebrou Contrato
de Compra e Venda, de Investimento, de Opção de Venda e Outras Avenças (“Contrato”) tendo
por objeto (i) a aquisição de 10% (dez por cento) das ações ordinárias representativas do capital
social da Escola Satélite S.A. (“Escola Satélite”), empresa detentora de autorização concedida pela
Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) e que atua no segmento de prestação de
serviços e elaboração, produção e coordenação de cursos telepresenciais, mediante o uso de
capacidade de satélite contratado com terceiros; e (ii) a subscrição e integralização pela CAEP de
novas ações ordinárias a serem emitidas pela Escola Satélite, todas nominativas e sem valor
nominal (a “Operação Escola Satélite”). Uma vez obtida a anuência prévia a ser concedida pela
ANATEL, a Operação Escola Satélite será concluída, e a CAEP passará a ser a titular de 51%
(cinquenta e um por cento) do total das ações ordinárias de emissão da Escola Satélite. A CAEP
passa a ter também o direito de aquisição dos outros 49% do capital da empresa em diversas
parcelas ao longo de um período de no máximo 8 anos, por um múltiplo de EBITDA da Escola
Satélite equivalente a 80% do múltiplo pelo qual as ações da Abril Educação estiverem sendo
cotados em bolsa de valores.
Com a Operação Escola Satélite a Companhia se prepara para oferecer às mais de 1.400 escolas
associadas aos seus Sistemas de Ensino a possibilidade de distribuição de serviços de ensino à
distância de preparação para testes e concursos, de idiomas, de cursos livres, dentre outros. Para
a oferta destes cursos a Companhia irá aproveitar-se de sua capacidade de geração de conteúdo e
de sua associação com os melhores professores de curso médio de suas escolas próprias e com
os autores com quem mantém relacionamento próximo em seus negócios editoriais.
A Companhia projeta ainda a redução de cerca de R$1,5 milhão por ano em custos de serviços de
apoio pedagógico prestados às suas escolas associadas, por meio da substituição de custos de
viagens e de pessoal com a prestação destes mesmos serviços via satélite, com maior frequência
e qualidade.
Em 2011 a Escola Satélite, fundada em 2008, prestou serviços de capacitação e educação
telepresencial a mais de 650 escolas privadas e públicas, tendo equilibrado receitas e custos.
O valor total da Operação Escola Satélite é de R$6.172.107,00 (seis milhões cento e setenta e dois
mil, cento e sete Reais).
A CAEP adotará todas as medidas necessárias para proceder às devidas notificações aos órgãos
integrantes do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência.

São Paulo, 15 de fevereiro de 2012.
Marcelo Schmidt
Diretor Financeiro e de Relações com Investidores
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O que é realmente importante?

Para complementar a discussão sobre tecnologia na educação, indico a leitura do editorial do Estado de S. Paulo do dia 13/02/2012, intitulado Tecnologia sem pedagogia. Leia aqui.

O posicionamento do governo continua sendo levado pelo modismo, capitaneado pela entrada da tecnologia na educação. Não consigo compreender porque não temos uma única pesquisa científica sobre o assunto em Universidades Públicas brasileiras. E se elas existem, porque não chegam ao MEC? Como o MEC investe tanto no programa Um Computador por Aluno e não cria métricas para avaliar seus resultados?

Não seria mais inteligente estimular a criação de projetos por parte dos colégios e entregar verbas para que eles realizem, cobrando os resultados esperados? Esses projetos também poderiam ser tecnológicos. O problema é que a tecnologia passou a ser compreendida como o Sassá Mutema da educação.

Uma lástima.

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Um bom uso para a Coca-cola

Sempre escutei e li que Coca-cola faz mal. Ela tem excesso de açúcar, vicia, causa úlcera, estraga os dentes etc. Se for a Coca-cola Light é ainda pior, já que para ficar doce a fábrica substitui o açúcar por sódio invertido. Como resultado temos aumento exagerado no nível de sódio, que causa retenção de líquidos e aumento de pressão. Sou pedagogo e mesmo assim sei de todos esses males do refrigerante com maior valor de marca do mundo.

Mas parece que finalmente descobri um bom uso para a Coca-cola. Depois de insistir por alguns anos, o Sr. Simon Berry consegui chamar a atenção da Coca-cola e criou a CocaLife. Não quero me alongar na explicação sobre o que é o projeto, seu engenhoso sistema de transporte (foto abaixo) e como ele é sustentável. Para isso existem entrevistas feitas, textos escritos e vídeos no Youtube (veja no final do texto). Gostaria de me deter em um ponto chave, que é usado pelo Simon Berry para convencer que seu projeto é viável: a logística da Coca-cola.

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Segundo Berry, algumas empresas possuem capacidade extraordinária de fazer com que seus produtos cheguem aos locais mais remotos do planeta. A Coca-cola é um grande exemplo, mas temos a P&G, Johnson & Johnson, Inbev e outras. Essa capacidade de transporte é feita em etapas, onde a fábrica é responsável até o atacadista. Daí para frente são profissionais liberais e pequenas empresas que levam os produtos até os pequenos vilarejos, distantes e de difícil acesso.

Interessante é perceber que esses vilarejos tem alguma conexão com o mundo, seja pela televisão, rádio ou internet, e que o marketing desses produtos realmente funciona. Eles despertam o desejo de pessoas e os transformam em  consumidores. Esses consumidores pedem que os produtos sejam vendidos e toda a cadeia logística é montada para atender seus objetivos. Aproveitando essa intrincada rede logística, a proposta é entregar medicamentos para curar doenças básicas de crianças, aumentando sua expectativa de vida e, consequentemente, a condição econômica local.

Em dezembro de 2011 escrevi sobre a Esther Duflo, que liderou uma pesquisa sobre combate a pobreza (leia aqui). A conexão com o projeto CocaLife é imediato:

  1. Os medicamentos e vacinas precisam chegar para que a pobreza diminua.
  2. Segundo Duflo, falar bem da educação eleva a escolaridade da população em até 40 anos. Por que não contratamos os mesmos profissionais de marketing que trabalham na Coca-cola e afins para que eles trabalhem a favor da educação?

Talvez o questionamento seja mais profundo: como despertar nas pessoas mais desejo por estudar do que de beber uma Coca-cola?

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Links para entender o que é CocaLife:

Entrevista do Simon Berry para a Wharton University (em português)

Site CocaLife

Apresentação do Simon Berry no TEDx Berlin (legendas em inglês):

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Polêmica sobre a tecnologia

No meu último artigo, citei com felicidade que a tecnologia finalmente estava sendo usada para o bem da educação [veja aqui]. Esse artigo faz parte de uma série de reflexões sobre o uso de tecnologia na educação básica, que também pode ser incorporada em processos de educação para adultos (role o site e leia os artigos anteriores).

Ontem o Professor Sugata Mitra, citado no artigo anterior, palestrou na abertura da Campus Party Brasil, e provocou polêmica ao afirmar que “iPad em sala de aula é como dar um videogame”. Assim que a notícia foi publicada o debate teve início: de um lado os defensores do uso da tecnologia tentando minimizar os impactos da afirmação bombástica; de outro educadores aversos a tecnologia usando a frase como estandarte em prol da defesa do professor.

Minha opinião: besteira de ambos.

Uma frase fisgada em uma palestra não reflete o que o Professor Sugata Mitra, nem ninguém, quer dizer. Se ele quisesse afirmar somente isso, sua palestra duraria 3 segundos. A imprensa, via Portal Terra, fez o papel de criar a polêmica através da publicação da frase no título da sua reportagem, e os educadores rasos, que não estudaram o trabalho do Prof. Sugata, morderam a isca. É preciso ler, estudar e interpretar para depois emitir uma opinião. Assim eu aprendi no colégio, na faculdade, na pós-graduação, no mestrado e nas empresas que passei. Toda vez que fui raso ao defender minhas opiniões, era questionado e obrigado a voltar para a mesa de estudos.

Continuando com minha opinião, parece que estamos criando uma nova luta entre trabalhadores da mesma classe: os professores pró-tecnologia e os contra. Nesse momento alguns leitores buscarão em suas memórias histórias do passado onde vivemos outros embates, procurando justificativas para se posicionar de um dos lados. Na verdade isso não importa e representa mais uma perda de tempo e energia.

A busca correta deveria ser pelas respostas às seguintes perguntas:

  • Quem é meu aluno? Isso quer dizer: de onde ele vem? Qual sua condição sócio-econômica? Como ele se relaciona com seus amigos? Como ele aprende em família?
  • Quem é meu colégio? Isso quer dizer: qual é a sua proposta pedagógica? Como ele se posiciona no mercado (mesmo uma escola pública possui um mercado)? O que ele quer realizar hoje, amanhã e no futuro?
  • Quem sou eu? Isso quer dizer: que metodologias eu conheço? Quais metodologias eu preciso aprender? Que educador eu quero ser?

Sem essas perguntas respondidas não podemos mudar o status atual do processo ensino-aprendizagem de uma sala de aula. Nem com a decisão do Diretor do colégio, que tem o poder de comprar iPads ou similares e entregar nas mãos dos alunos e professores, conseguiremos introduzir inovações tecnológicas na sala.

Está provado pela nossa sociedade que não há solução única para todos os males, sejam eles da saúde, do transporte ou da educação. Precisamos estudar soluções e adequar, se for o caso, para a nossa realidade.

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PS: Sou a favor da tecnologia em sala de aula, mas ela deve vir depois do entendimento da proposta pelos professores, sua cumplicidade com o projeto, capacitação inicial e constante de todos os educadores. A esses educadores deve-se incluir o Coordenador, Orientador e Diretor.

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