A guinada na tecnologia


Curiosamente o primeiro computador que usei na vida foi um CP 500 em um colégio. Na época eu brincava com um MS Expert em casa, mas vi a primeira aplicação prática em um CP 500, munido de tela com fósforo verde e drive para disquete de 5 1/4. Depois disso comecei a trabalhar em colégios e passei pelo XT, AT, 386, 486 e entrei nos modernos micro computadores com processadores Pentium de altíssima velocidade.

Em 1994 eu ajudei a montar um laboratório de informática em um colégio, onde era responsável pelo funcionamento da rede e suporte aos professores. O foco era ensinar os alunos o que era hardware, software, usar um mouse, digitar um texto e fazer pesquisas na revista Neo Interativa. Mas o computador não tinha sido criado para isso. Com base em modelos matemáticos, sua criação tinha foco no mundo da administração, facilitando o trabalho de burocratas e homens de negócios. Os educadores que acreditavam que ele poderia ser usado para facilitar o processo de ensino e aprendizagem estavam surfando em uma onda de otimismo, aproveitando o modismo da informatização.

Com a chegada da internet comercial no Brasil, em 1995, a comunicação entre as pessoas começou a mudar em nosso país, seguindo mais uma tendência mundial. Os provedores de acesso a internet surgiram oferecendo acesso e conexão mundial. Lembro de promessas que podíamos ver as obras que estavam no Louvre sem sair de casa, além de ler jornais do mundo inteiro e conversar com pessoas que não conhecíamos presencialmente. O uso do computador deixou de ser estritamente profissional e passou a ser livre.

Educadores idealistas aproveitaram a facilidade de conexão e criaram serviços on-line para que alunos estudassem. Grandes repositórios de conteúdos foram criados, professores passaram a fazer plantão e parecia que a solução estava dada, pelo menos para aqueles que podiam comprar computadores e se conectar na internet.

Até que alguém, de um pobre e populoso país, pensou diferente: e se eu fizer um buraco no muro e colocar um computador com acesso livre? O interessante projeto Hole-in-the-Wall é mundialmente conhecido e não é novidade para quem estuda educação e tecnologia. Seu criador, o professor indiano Sugata Mitra, faz sucesso por onde passa contando suas histórias.

A novidade é que finalmente o Campus Party Brasil, maior reunião de jovens que usam computadores e estão 100% conectados, terá o Sugata Mitra como palestrante em 2012. Essa iniciativa é tão importante quanto o iBooks 2 da Apple e mostra que a educação está, finalmente, na crista da onda da tecnologia.

Finalmente poderemos ver e ouvir sobre educação em um evento feito por e para jovens conectados. Aposto que agora a festa vai começar!

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Veja aqui os destaques da Campus Party Brasil 2012.

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Para conhecer mais sobre o projeto Hole-in-the-Wall, veja a bela apresentação do Sugata Mita no TED em 2010:

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A palavra é gestão


O governo federal passou a última década estudando sobre formação profissional, desenhando projetos, testando modelos, apertando o Sistema S e implantando escolas técnicas federais em todo o Brasil. Isso tudo com o objetivo de minimizar o problema de falta de mão-de-obra especializada que assola nosso país.

Esse problema é crônico e tem origem na valorização do diploma de ensino superior, associado a banalização do diploma de técnico. É preciso lembrar que vivemos em uma sociedade em que os detentores do poder de decisão sobre os modelos de avaliação educacional, reconhecem apenas o diploma como forma de validação do conhecimento. Não importa o que se sabe, e sim por onde você passou para aprender.

Também é importante perceber que, se de um lado sofremos com a falta de emprego, visto que estamos importando mão-de-obra especializada, por outro as empresas precisam minimizar seus custos e passaram a incorporar em suas estruturas de recursos humanos etapas da aprendizagem que nosso sistema educacional não é capaz de suprir. A área de Treinamento & Desenvolvimento tomou corpo e se tornou Universidade Corporativa.

Para ajudar na tarefa de formação no nível superior, o governo federal tomou algumas atitudes: construção de novas Universidades Federais; maior controle sobre o ensino superior a distância; fiscalização mais próxima das universidades privadas; mais investimentos nas universidades públicas existentes; estímulo para que empresas privadas invistam em centros de pesquisas com universidades; etc.

A palavra é gestão

As iniciativas são sempre interessantes, mas precisam funcionar, e para isso é preciso fazer a gestão. E é aqui que está nosso problema. Temos em nossas universidades, inclusive nas públicas, bons cursos de administração. Mas o modelo de avaliação do MEC exige que os professores com mais experiência e estudo tenham dedicação exclusiva para que a universidade seja bem avaliada. O dilema está posto: como fazer a gestão de algo se o professor (que é a maior fonte de conhecimento) não tem a oportunidade de praticar seu conhecimento? Como ele pode comprovar para seus alunos que o modelo de gestão em questão funciona se eles não praticam juntos? O paralelo com a medicina é imediato: como um bom médico pode ser reconhecido como tal se não consultar? Por suas aulas teóricas?

O retrato desse dilema pode ser visto nas reportagens abaixo. Por um lado temos a Petrobrás, o maior investidor no Brasil depois do governo federal, colocando dezenas de milhões de reais em centros de pesquisas em Universidades, e cobrando resultados. Por outro lado, a inércia do governo federal na simples construção de uma nova Universidade pública.

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E como fazer essa gestão? Esse é um ótimo tema para o próximo post, ou para você interagir nos comentários.

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Plano de Marketing sem Segredos

Realizarei no Rio de Janeiro e em São Paulo o curso de Plano de Marketing sem Segredos, pela DMC Consultoria. Veja abaixo o que abordaremos, se inscreva e vamos bater papo sobre Marketing:

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Como elaborar Planos de Marketing sem segredos

Passo a passo de forma simples, objetiva e simplificada


Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2012
São Paulo, 29 de fevereiro de 2012

08h30 às 17h30

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A quem se destina

Diretores, Gestores de empresas e demais profissionais interessados nos assuntos abordados.

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Por que participar?

  • O curso oferece visão prática sobre a elaboração de um Plano de Marketing adequada a profissionais que não tem tempo a perder;
  • A metodologia é prática e o conteúdo será repassado usando-se exercícios, estudos de casos e outros recursos didáticos que aceleram a absorção;
  • As ações sugeridas são de fácil aplicação e podem rapidamente ser incorporadas ao dia-a-dia da sua empresa;
  • Apresentaremos métricas para medir resultados ao longo da aplicação do Plano de Marketing.

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Metodologia

Envolvente e participativa, com estudos de casos, debates e indicação de textos para complementação do aprendizado.

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Destaques do conteúdo

  • O que deu certo no passado e que não combina mais hoje?
  • Principais tendências do marketing;
  • Como escolhas bem feitas resultam em bons resultados;
  • Como escolhas mal feitas ajudam a cegar empresas;
  • Como um Plano de Marketing pode ajudar uma empresa a ter foco no seu negócio?;
  • Análise de mercado e entendimento do seu produto/serviço;
  • O que você pode extrair de positivo da sua empresa para potencializar seu Plano de Marketing;
  • Por que algumas empresas não tem Planos de Marketing?;
  • O que fazer para que sua empresa desenvolva um Plano de Marketing de sucesso?;
  • Mobilize sua equipe e tenha melhores resultados;
  • Quem compra seu produto/serviço e o que ele vai comprar no futuro;
  • O Marketing evoluiu e seu contato com o cliente também: as diferentes formas de Marketing Eletrônico;
  • Quem são seus concorrentes e para onde eles vão?;
  • Aprenda a ler o mercado e determine para onde vai sua empresa;
  • Defina os resultados esperados, indicadores desempenho e as metas para o seu Plano de Marketing.

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Apresentador: Prof. Denis Drago

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Investimento por pessoa:

Rio de Janeiro – RJ
Até dia 6/02 – R$ 580,00
Após esse prazo – R$ 630,00

São Paulo-SP

Até dia 17/02 – R$ 580,00
Após esse prazo – R$ 630,00

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Inclusos:
Material apostilado, 2 serviços de café e certificado.
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Inscreva-se:
Acesse aqui ou Telefone: (11) 2673-0231 – 2673-2241

Quem precisa de títulos?

Ao longo dos anos venho escrevendo no meu site que a educação formal não pode ser usada como única forma de medição da capacidade intelectual, cultural ou laboral de uma pessoa. Essa posição foi defendida na minha palestra  sobre Gestão por Competências para gestores de RH de Fundos de Pensão, ao criticar o uso indiscriminado da tecnologia em sala de aula, quando eu questionei para que serve uma universidade, na apresentação da Khan Academy, entre outros (role as páginas para ver os posts).

Acredito que esse questionamento tenha começado quando resolvi abandonar o curso de Engenharia Civil na Universidade do Estado do Rio de Janeiro para estudar Pedagogia em uma universidade particular. Ao ser questionado sobre o motivo do abandono, sempre afirmei que fui expulso metodologicamente da UERJ.

Outros continuam me questionando porque cursei um mestrado, me qualifiquei mas não defendi a dissertação e conquistei o título de mestre. A resposta também é clara: aprendi o que precisava e não aceito refazer novamente minha dissertação, já que tive 4 orientadores ao longo do curso. O título de mestre não acrescentará conhecimento para minha vida nem fará diferença no resultado final do meu trabalho, e sim uma linha ao meu currículo.

Continuo acreditando que o trabalho é pautado pela aprendizagem coletiva, onde todos possuem conhecimentos prévios, são provenientes de culturas diferentes e precisam ser ouvidos e respeitados. Esse é um dos motivos que é tão difícil trabalhar com pessoas. Somos educados reproduzindo modelos, repetindo exercícios, copiando e colando (de livros ou da internet), e quando entramos no mercado de trabalho esperamos que o outro decida e faça exatamente como nós faríamos, assim como nosso professores nos ensinaram a fazer como eles fazem.

Produzir em uma empresa onde a interação entre as pessoas é fundamental para alcançar resultados não é fácil. É preciso aceitar que o outro possui cultura diferente, educação formal diferente e, principalmente, experiências de vida diferente.

Essas reflexões passaram pela minha cabeça por algum tempo, até que recebi da amiga Amélia Feichas uma indicação de apresentação realizada no TED que corrobora com o que acredito e pratico:

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  • É necessário deixar de ser professor para ser educador.
  • É preciso se despir dos títulos e escutar a voz da experiência.
  • É preciso respeitar o conhecimento do próximo.

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A apresentação do educador Bunker Roy tem 19 minutos, talvez os mais interessantes e produtivos que você terá por esses dias. Invista 19 minutos do seu dia em aprendizado para você.

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PS: Adorei o produto final dos relatórios do Banco Mundial.

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Exemplo de péssima liderança

Não há muito o que falar depois de acompanhar o caso do naufrágio do navio Costa Concórdia, na costa da Itália. Desde a primeira notícia havia rumores de que o comandante havia abandonado o navio antes da retirada de todos os 4.200 tripulantes e passageiros. A confirmação de que o comandante realmente abandonou o navio deixou todos em choque.

A polícia italiana, que imediatamente deteu o comandante Schettino, divulgou hoje um áudio com a gravação entre a Capitania dos Portos e o comandante:

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Tradução abaixo (publicado no Estadão):

De Falco: Aqui é De Falco, de Livorno, falo com o comandante?

Schettino: Sim, boa noite comandante De Falco.

De Falco: Diga-me seu nome, por favor.

Schettino: Sou o comandante Schettino.

De Falco: Escute, Schettino. Há pessoas presas a bordo. Quero que volte para o barco e me reporte quantas pessoas há a bordo. Fui claro? Estou registrando esse telefonema.

Schettino: Comandante, digo que…

De Falco: Fale mais alto. Coloque a mão na frente do microfone e fale mais alto, ok?

Schettino: No momento o navio está inclinado…

De Falco: Entendi. Olha, há pessoas saindo pela proa do navio, com um bote. Vá naquele bote, volte até lá e me diz quantas pessoas estão a bordo. Fui claro? Me diga se há crianças, mulheres e pessoas que precisem de ajuda. E me dê o número de quaisquer categorias, fui claro? Olha, Schettino, você pode ter se salvado do mar, mas para mim isso é muito ruim… posso fazer você passar por um grande problema! Volte ao barco, c…!

Schettino: Comandante, por favor…

De Falco: Por favor não… vá para o barco agora. Me assegura que está indo para lá.

Schettino: Estou com a lancha de socorro. Não fui a lugar nenhum, estou aqui.

De Falco: Que está fazendo?

Schettino: Estou aqui coordenando o socorro.

De Falco: Está coordenando o que daí? Volte para o barco, coordene o socorro a bordo. Está se recusando?

Schettino: Não, não… não estou me recusando.

De Falco: Está se recusando a ir para o navio, comandante? Me diga por que está fazendo isso.

Schettino: Não estou indo porque a lancha em que estou está parada.

De Falco: Vá para o barco, é uma ordem. Não deve fazer nada diferente disso. Declararam abandono do navio, e agora quem comanda sou eu. Vá para lá! Fui claro? Não está me ouvindo? Vá e me ligue diretamente de lá. O helicóptero está na área.

Schettino: Onde está sua equipe?

De Falco: Está à frente da proa. Já há dez cadáveres, Schettino.

Schettino: Quantos cadáveres?

De Falco: Não sei, ninguém sabe. Ouviram dizer isso. Deve dizer para mim quantos há, Cristo!

Schettino: Mas está escuro e não conseguimos ver nada!

De Falco: E por que quer voltar para casa, Schettino? Está escuro e quer voltar? Pegue o bote, vá até a proa do navio e diga-me o que se pode fazer, quantas pessoas estão lá e o que precisam.

Schettino: Estamos com o segundo comandante.

De Falco: Subam no navio os dois, agora. Você e o subcomandante vão agora, entenderam?

Schettino: Comandante, quero subir no navio, mas há outro barco aqui. Já há outros socorristas, o barco parou ali, já chamaram mais gente…

De Falco: Já faz uma hora que está me falando isso! Vá a bordo agora, vá A B-O-R-D-O!!! E me diga imediatamente quantas pessoas estão lá!

Schettino: Está bem, comandante!

De Falco: Vá, vá agora!

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A partir de hoje está decretado que esse será o exemplo número 1 para péssimos líderes. Pior do que decidir mal é não decidir. E pior do não decidir é fugir da sua responsabilidade.

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Reinventando a educação

Uma vez escutei uma história que afirmava que a Educação a Distância começou quando o professor passou a dar aula para mais de um aluno. Ele precisou se distanciar, escrever em um quadro, ou parede, e os alunos, distantes dele, precisavam escutar e interagir apenas nos momentos em que era permitido.

Com a evolução da tecnologia a Educação a Distância passou a perder as fronteiras de uma sala. Começou com o registro do saber no papel, ou papiro, depois a correspondência, o telégrafo, telefone, rádio, televisão e finalmente a internet. Nessa última etapa podemos estratificar em outras pequenas partes: conteúdos depositados em formato texto, interação por meio de perguntas e respostas em texto (chats, fóruns etc.), escrita colaborativa, disponibilização de áudios (programas de rádio, entrevistas etc.), vídeos (geralmente produzidos para a televisão) e finalmente aulas presenciais gravadas em áudio e vídeos.

Especificamente nessa última categoria – aulas gravadas em vídeo – está localizado a Khan Academy, iniciativa de educador Salman Khan, que em 2006 começou a gravar aulas e disponibilizar os vídeos de maneira gratuita em seu site. A Khan Academy representa, na minha opinião, o estado da arte em conteúdos livres para alunos. Fácil de consultar, sem burocracia de cadastros, pagamentos de royalties ou amarrações com conteúdos pré-definidos. O aluno simplesmente procura o que quer aprender a assiste, ou pratica exercícios.

A interação acontece com seus professores da escola, ou com os amigos, pais, tios ou quem estiver disponível para ajudá-lo. Não importa. A Khan Academy entendeu que a busca pelo aprendizado deve partir do aluno, e por isso deve ser disponibilizado para ele o melhor conteúdo para seu simples deleite.

Reveja aulas que você teve no passado e aprenda de maneira diferente. Consulte a Khan Academy:

Veja a apresentação do educador Salman Khan no TED:

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Vítima da sua estratégia?

Seria a Kodak vítima da sua estratégia?

Com a popularização da informatização as máquinas fotográficas de filmes simplesmente sumiram do mercado. Ainda sou da época que precisávamos estudar para tirar boas fotos, além de uma certa habilidade para enrolar o filme e um toque de sorte para abrir a máquina e ele estar totalmente rebobinado. Isso se ele realmente tivesse sido colocado da maneira correta.

Aprendi a fotografar com uma Kodak 35 mm (não lembro o modelo) e passei a gostar muito de fotografia quando montei um laboratório de revelação em p/b na minha casa, quando eu tinha 19 anos. Nunca trabalhei com fotografia, mas minha relação com a arte de congelar o tempo através de uma imagem sempre foi muito próxima.

A Kodak decidiu continuar mantendo e investindo em fábricas de filmes, máquinas de revelação ou impressão digital, mas não ousou na estratégia de criar máquinas fotográficas digitais. Parece estranho para uma empresa que debutou nesse mercado no final do século XIX.

A notícia de que a Kodak está estudando pedir concordata não é estranha. As fotografias, mesmo as mais belas, não são mais impressas como há 10 ou 5 anos atrás. Os álbuns hoje são digitais, incorporados a redes sociais ou em sites pessoais. Imprimimos menos de 0,1% das fotos que tiramos. Seu valor de mercado despencou e parece que não há o que fazer.

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Será que não há o que fazer? Seus executivos tentam salvar a empresa negociando parte do seu portfólio de mais 1.000 patentes, além de outros malabarismos. Mas a lição que aprendemos, mais uma vez, é que não podemos viver tendo o sucesso do passado como mito.

Veja nos links abaixo mais informações no Financial Times:

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