A estratégia de Wisconsin

Estratégia é mais do que imaginar para onde sua empresa deseja ir e traçar planos. Para planejar estratégias é necessário estudar, pesquisar e entender quais são suas fortalezas e fraquezas. Podemos encontrar estratégias em nossa vida, em empresas pequenas e em outras grandes, em governos e em posicionamentos políticos. O problema é que elas nem sempre são claras, objetivas e focadas.

O estado de americano de Wisconsin é reconhecido como um dos grandes produtores mundiais de queijos, sejam eles industrializados em grande escala ou artesanais. Como o americano adora hambúrguer, foi lançado um programa desafiador para encontrar as melhores receitas de Cheese Burguer, usando queijos de Wisconsin, batizado de Cheese & Burguer Society. O resultado você acompanha no site abaixo (aumente o som ou coloque seu fone de ouvido):

O Cheese Burguer da foto é o que eu comerei na minha visita a Wisconsin

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Não deixe de visitar o site da Wisconsin Milk Marketing Board, que promove o Cheese & Burguer Society, além dos produtos da região. Eu chamo isso de estratégia bem desenhada e implementada.

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A velocidade da tecnologia

Compartilho texto publicado no caderno Link do Estado de São Paulo, relatando a velocidade com que a tecnologia nos atinge. Compartilho angústias com alguns entrevistados, já que também joguei no Telejogo (meu primeiro videogame) e no Atari.

O futuro é dos tablets e computadores com telas sensíveis ao toque. Isso é, teremos telas?

Quem assistiu a série Caprica sabe até onde a tecnologia pode nos levar, inclusive com o uso de videogames. Se você não viu e gosta de tecnologia, vale a pena buscar pela internet.

Veja tudo sobre a série Caprica aqui e leia o texto do Estadão aqui.

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Para que serve uma Universidade?

Nos últimos anos temos nos perguntado frequentemente sobre a função de uma Universidade. Inicialmente produzimos algumas respostas prontas, usuais e até pueris, tais como:

  • Perpetuar o conhecimento;
  • Ser centro de estudos e inovação;
  • Produzir estudos científicos que comprovem para a sociedade que adotar determinado comportamento ou usar algum produto pode trazer benefícios ou malefícios;
  • Entender o comportamento da sociedade e indicar alternativas.

Entendo que essas respostas são padrões não observados em nossas Universidades. Salvo raras exceções, o que percebemos são Universidades públicas repetindo o modelo educacional adotado no século XIX e Universidades particulares preocupadas em ter cursos de mestrado e doutorado em funcionamento apenas para garantir sua autonomia universitária.

No rol das raras exceções temos institutos de pesquisas que invariavelmente são subsidiados por empresas privadas ou públicas que tem compromisso claro com o desenvolvimento do nosso país, como a Petrobrás e a Embrapa. Alguns podem provar que estudos realizados por Universidades que não estão nessa categoria tem alguma serventia, mas ainda assim são exceções.

Lembro que quando iniciei minha busca por fazer um mestrado, recebi sonoros nãos da PUC-Rio, UFRJ, Uni-Rio e UERJ. Isso porque minha proposta era estudar os modelos de gestão e empresas aplicadas ao Ensino Básico privado e as Universidades não estudavam o modelo privado. Quer dizer, ou eu estudava o que eles queriam ou não fazia o mestrado. Por isso parti para São Paulo, onde encontrei um mestrado multidisciplinar em Administração, Comunicação e Educação na Universidade São Marcos.

O MIT prova constantemente para que serve uma Universidade. Leia, entenda e ajude a criticar nosso modelo.

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Como combater a pobreza

A Universidade de Wharton entrevistou as economistas do MIT Abhijit Banerjee e Esther Duflo, que acabaram de lançar o livro Poor Economics: A Radical Rethinking of the Way to Fight Global Poverty (leia a entrevista aqui). Assisti a palestra da Esther Duflo no TED (veja abaixo) e gostaria de destacar alguns pontos: em primeiro lugar é sempre interessante ver um economista falando sobre pobreza; quando eles não usam retórica para suas explicações são extremamente diretos, fato que causa espanto na platéia. Particularmente gosto de economistas que estudam pobreza, educação e outros temas das áreas sociais justamente pela sua visão prática.

O segundo ponto é a forma com que a Esther Duflo classifica seu estudo. Segundo ela, basicamente há três maneira baratas para se erradicar a pobreza:

1 – Imunizar a população contra doenças, usando incentivos para tal. Tornar os postos de imunização acessíveis e dar incentivos é mais barato do que curar as doenças.

2 – Dar melhores condições de moradias para as famílias, mesmo que para isso seja necessário oferecer infraestrutura mínima. Segundo o estudo esse oferecimento não cria dependência, desde que as famílias percebam melhoria na sua qualidade de vida.

3 – Edução, e aqui explico com mais detalhes: segundo a Esther Duflo, o fato de eliminar os vermes e outros parasitas nas crianças aumentam em 28,6 anos o tempo d escolaridade, e dizer para as pessoas os benefícios da educação em linguagem simples e clara elevam em até 40 anos a escolarização de uma sociedade.

Você entendeu certo: falar bem sobre a educação eleva em 40 anos o nível de escolaridade de uma sociedade.

Traduzo isso em elevar a auto-estima dos professores, deixar claro os benefícios da educação e fazer com que os conteúdos sejam aplicados no dia-a0-dia dos alunos. Também comparo essa afirmação com o que vem sendo trabalhado no Brasil em termos de propaganda do MEC sobre a educação do nosso país. Até o momento não me recordo de uma única inserção na TV sobre os benefícios da educação, e sim sobre estímulos em fazer o ENEM, em propaganda sobre programas do MEC e prêmios que um ou outro professor tenham vencido. Isso está longe de um programa de auto-estima como vemos no Chile, e que já publiquei os vídeos aqui.

É preciso parar de nos enganar e iniciar uma campanha imediata pela qualidade da educação, seus benefícios e sobre o futuro que a geração de estudantes protagonizará daqui a 30 anos. Por enquanto estamos vivendo o período de crescimento natural de um país que está se descobrindo como mercado consumidor, mas precisaremos melhorar muito nossas lideranças futuras para que a continuidade seja dada.

Ou então seremos como  a Grécia, de passado glorioso, presente caótico e futuro incerto.