O problema do Ensino Médio no Brasil

Não costumo copiar reportagens publicadas em outros sites, mas o trabalho que o iG fez ao analisar o Ensino Médio no Brasil está muito bom.

A Fundação Unibanco discutiu o tema em 2008, em seu seminário anual, que teve o título “A Crise de Audiência no Ensino Médio”. No evento o economista Ricardo Paes de Barros discorreu sobre as horas líquidas de estudo de um aluno no Ensino Fundamental e Ensino Médio no Brasil.

Leia aqui Revista do Seminário do Instituto Unibanco e aqui a apresentação do Ricardo Paes de Barros.

Indico que vocês leiam a reportagem abaixo e entendam porque nosso Ensino Médio é um fracasso. Somo ao problema das horas líquidas de estudo ao currículo completamente destoante da necessidade de um adulto. Não me lembro, por exemplo, de ter usado o conhecimento adquirido em Biologia na minha vida adulta. Até hoje não sei porque aprendi a função do Complexo de Golgi, já que estudei Engenharia Civil, Pedagogia e Gestão de Empresas.

Boa reflexão para todos!

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De 4 horas diárias, alunos do ensino médio aprendem só em 1h44

Ibope usa pela primeira vez método para medir a audiência nas escolas e chega a este resultado em um grupo experimental médio

Da carga horária anual de 800 horas previstas pela legislação brasileira para as escolas de ensino médio, apenas 43%, ou 344, são efetivamente de atividades de aprendizado. No restante, ou não há aula ou o aluno não está lá para aprender. O dado é de um estudo inédito realizado pelo Ibope em 18 escolas públicas para medir a “audiência” desta etapa de ensino.

A audiência neste caso é dada pela soma de dois fatores. O primeiro, chamado de “oportunidade de ensinar”, foi calculado sobre as aulas efetivamente dadas e o segundo de “oportunidade de aprender” extrai do anterior o tempo em que o estudante estava em classe.

O resultado foi alarmante. Entre as 4 horas de aula que são obrigatórias por dia, apenas em 1 hora e 44 minutos o professor está oferecendo uma atividade aos estudantes e eles estão presentes para participar. “Mais da metade do tempo é qualquer outra coisa, que não aprendizado”, diz Ana Lima, diretora-executiva do Ibope.

A superintendente-executiva do Instituto Unibanco, Wanda Engel, destaca a importância do dado em um momento em que o governo estuda a possibilidade de aumentar a carga horária. “Não adianta aumentar o prato, se não tem comida dentro. Neste momento, deveríamos pensar em garantir estas quatro horas diárias.”

Metodologia

Como mesmo entre 18 escolas havia muita disparidade, a pesquisa dividiu o resultado em três grupo. O primeiro de “alta audiência”, o segundo de “média audiência” e o terceiro de “baixa audiência”. “Não adianta uma pessoa colocar a cabeça no forno o pé na geladeira depois pegar um termômetro e dizer que a temperatura está média”, explica Ana Lima.

A audiência de 43% é relativa ao grupo médio. No primeiro, há cerca de 2 horas e 13 minutos de atividades diárias com a presença de alunos ou audiência final, ainda pequena, de 55%. No pior cenário, o total cai para 32% ou 1 hora e 17 minutos.

Para chegar aos dados finais foram usados dois critérios. O primeiro, “oportunidade de ensinar”, foi medido por observadores que frequentaram todas as aulas de duas turmas em cada escola por uma semana em cada mês durante os 10 meses letivos do ano. Eles anotavam dois componentes: se havia aula e em que momento ela começava e acabava – medindo a partir do primeiro instante em que o professor iniciava qualquer proposta e terminando com a saída dele. Para cada aula existente, o tempo médio foi de 43 minutos.

No primeiro grupo, de alta audiência, esse primeiro critério atingiu 83% das aulas previstas. No segundo grupo 71%, e no terceiro, 58%. A partir deste primeiro filtro, entrava o segundo critério, chamado de “oportunidade de aprender”, que levou em conta quantos alunos estavam em sala no tempo em que houve aula e os resultados foram respectivamente 66%, 61% e 55%. Para a conta final o porcentual do primeiro critério é multiplicado pelo segundo, ou seja:

Exemplo do 1º Grupo 
Total de horas por dia: 4 horas
Porcentual em que houve aula: 83% (3 horas e 12 minutos)
Porcentual de alunos que estavam nas aulas: 66%
Média de horas aproveitadas pela turma toda (83 x 66 = 55%): 2 horas e 13 minutos

Do desperdício de oportunidade de ensinar, o principal fator, são as faltas do professores. No primeiro grupo, professores faltaram em 5% das aulas. No segundo, as faltas sobem para 12% e no terceiro atingem 19%.

A metodologia do estudo será disponibilizada para as escolas, para que as instituições possam medir sua própria audiência.

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Série especial sobre fracasso no ensino médio

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Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 17/11/2011

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3 comentários

  1. SEM INVESTIMENTO EM EQUIPAMENTOS salas ambiente, laborátórios – de ciências e informática -, biblioteca (ou acesso a internet), oficinas, praça de esportes, auditório, intercâmbios, incentivo a participação em eventos culturais (seja de L Portuguesa, Matemática C&T, esportivas, musicais.. e METODOLOGIA (atualização pedagógica, Lato ou Stricto Sensu) e de relacionamento interpessoal, não sairemos de pífio desmpenho nas avaliações: SAEB, PISA… As pérolas do ENEM (Vestiburradas) continuarão a ser manchete.
    Os megaeventos – Pan 2007, Copa 2014, Olimpíadas 2016, (?) Univesíades 2017 poderão ser decisivos: Brasil sério (contrariando De Gaule) ou continuarão os privilégios a grupos econômicos e a castas nos Três Poderes (corrupção, prevaricação, nepotismo…).
    Atualmente o Ensino Médio é um trecho a ser vencido para se qualificar na faculdade. Os valores da juventude são bem diferentes dos meus – com 51 anos – durante meu E Medio surgiu a Reforma do Ensino de 1972, fiz Tec em Agropecuária no Colégio Agrícola de Brasília (76 a 78), atual IFB. Fui interno e o curso teórico- prático, capacitava mesmo! O Gov Federal e estaduais estão reconhecendo que foi um erro estratégico fechar escolas técnicas e atualmente oferecem mais cursos e incentivam a criação delas. O QUE TEM VINDO DE ESTRANGEIRO PARA TRABALHAR NO BR NÃO É POUCO, desde o ano 2000, é de soldador (curso básico ou técnico) a cientistas (O Sul , a partir de SP e NE tem muitos “cérebros” que emigraram do Leste Europeu para cá, fugindo por motivos diversos, obtendo aqui dignidade e reconhecimento em suas ocupações.
    Além do pouco interesse, da juventude atual, pelos estudos, o desrespeito pelo professor (categoria), as ameaças com palavras ou agressões físicas, depredação do automóvel, posts anônimos denegrindo a pessoa (professor) ou sua práxis, tem fatores EXTRA-MUROS significativos: a família desestruturada, banalização da criminalidade, os ídolos são habilidosos, atores, músicos, futebolistas, geralmente com pouca escolaridade e altíssimos salários. Mulheres com muito corpo (à mostra) e pouco pano (de cobertura) são costumeiras alpinistas sociais e a referência para as crianças e moças. Quando a gravidade atua mais do que o tônus muscular e a prótese de silicone fica incômoda, haja desespero! não há botox e plática que suporte a transformação de Cinderela em Fiona.
    Se tiver qualificação, planejamento, certa poupança/ investimentos tem solidez material no final da vida (maturidade), pois o INSS é mais difícil do que a loteria para dar o mínimo de dignidade quando o peso da idade se faz presente.
    É participar de assembléias e audiências públicas, EIA, RIMA,… Refletir sobre o que estão propondo. Crimes Ambientais são caóticos para todos e para as gerações futuras.
    EDUCAÇÃO É PROGRESSO. SEM EDUCAÇÃO NÃO HÁ SALVAÇÃO. “amai-vos e intruí-vos”.

    1. Ótimo comentário Carlos Eduardo! E você tocou em um ponto que estou acostumado a escutar em minhas palestras e trabalhos realizados em escolas de Ensino Básico pelo Brasil: 40 anos atrás os alunos eram obrigados a estudar, gostavam do estudo e passavam mais tempo nas escolas. Além disso o professor ganhava mais, as escolas tinham mais estrutura (comparativamente ao que havia disponível na época) e as famílias se interessavam mais.
      Concordo com esse ponto de vista, mas é preciso entender que vivemos em outra realidade. Desde 1998, quando o programa de universalização do Ensino Básico teve início no Brasil, os Estados e Municípios foram estimulados a incluir crianças nas escolas. Os estímulos são por meio de propaganda e financeiros, onde eles são remunerados por cada matrícula realizada.
      Até então os Estados e Municípios tratavam a educação como a saúde, isso é sob demanda. Se a população pressionasse tinha escola, se não pressionasse ficava em casa ou na rua. Comparativamente, na década de 1970 tínhamos no Brasil cerca de 40% das crianças no colégio, em 2002 atingimos 93% e hoje temos 98%.
      O programa de inclusão de crianças na escola tem como consequência o aumento exagerado de alunos em um curto espaço de tempo, mas prevê que sejam investidos recursos em metodologia e infraestrutura. Essa sequência não foi invetada no Brasil. Na Coréia do Sul, país que passou pelo mesmo problema que estamos vivendo, fez esse trabalho na década de 1960.
      O problema é que não é fácil fazer essa segunda etapa quando não há competência ou apoio das Universidades, que verdadeiramente formam os professores. Pense comigo: o professor que sai hoje da Universidade passou por 14 anos de escolas com aulas expositivas, sem inovações, mais 4 anos de universidade com a mesma metodologia. Ele tem cerca de 22 anos, entra na sala de aula e queremos cobrar que ele ministre aulas diferentes. Como, se a referência dele é reproduzir modelos e fazer provas de decoreba? Ele é Phd em assistir aulas e não interagir na sala de aula.
      A própria estrutura da sala de aula é falha. Uma aluno passa dos 3 aos 6 anos estudando em mesas coletivas, interagindo com os amigos. Após a alfabetização as carteiras se viram para frente e ele passa a ser tratado de maneira individual até o final da Universidade. O máximo da interação é o trabalho de grupo, onde 2 fazem, 2 brincam e 1 desaparece. Quando ele entra no mercado de trabalho a primeira pergunta que o entrevistador faz é: “você tem bom relacionamento interpessoal e sabe trabalhar em grupo?”.
      A mudança, no meu ponto de vista, deve partir do ensino dos professores nas Universidades. Eles precisam ser formados de maneira a atender ás exigências da nossa juventude, das novas tecnologias e metodologias. Mas isso é um longo embate contra a academia…
      Forte abraço,
      Denis Drago

      1. Brasília tem uma realidade bem distinta de escolas rurais: são uns 48 museus, tem ainda teatro, cinemas, várias ONG e OSCIP, Universidades, Centros Universitários, faculdades, cursos técnicos, cursos básicos… Jardim Zoológico, Jardim Botânico, Centro de Convenções, Unidades de Conservação, três centros da Embrapa, dois colégios militares, academia de Polícia Civil, PM e BM, representações diplomáticas… Uma coisa positiva é que a garotada vai a esses locais, considero mais adequado “Atividade de Eriquecimento Curricular” ou Visita Pedagógica do que PASSEIO, Fazem um custo bonificado ou oferecem o transporte, como o CCBB – Centro Cultural do Banco do Brasil- assim, sdemelhante à MARINETE (ônibus amarelos, jardineiras) os alunos desde a Educação Infantil conhecem atrativos naturais ou artificias (Congresso Nacional, Praça dos Três Poderes, Catetinho) o Parque Nacional de Brasília é um dos mais esperados locais de visitação.
        Reconheço que as facudades não estão capacitando conforme o mercado de trabalho anseia, seja de Pedagogia como de Licenciatura. Quando oprofessor se propõe a sair do “quadrado” pode ser objeto de perseguição ou sindicância. O conservadorismo é uma modalidade de atraso: situação ocorrida comigo em2008 passei o filme ‘Líquido X’ para turmas de9º ano haviamuito de Ciências/ farmacologia e grande parte dos alunos de três,das quatro turmas, tinham a idade de 15 anos, a censura era 16 anos… Final do caso: fui devolvido em 11/11 mas encerrei o ano nessa escola, com a Supervisora Pedagógica e a Coordenadora Pedagógica semanalmente analisando CRITERIOSAMENTE meu plano de aula. Síntes do filme: bisneto do criador da Max Factor, uns 32 anos, vivendo dos dividendos das ações, na praia, se divertia com moças: volei, surf, paquera… e levava algumas para sua mansão as dopava com o ‘Líquido X’ (GHB), o boa noite Cinderela e além da conjunção carnal as filmava e roubava os relógios (fetiche). Foi denunciado, julgado, fugiu e foi capturado por um caça-recompensas, preso, cumpriu a sentença, BASEADO EM FATOS REAIS. O falso moralismo judáico-cristão é bem usual. Até em desenho animado tem insinuação sexual e apologia a crimes, dependência química… em pleno Século XXI.
        Pelo DF desde 1987 fazem um levantamento da gravidez de adolescentes e elas são de 20 a 25% das atendiadas nos hospitais da rede pública do DF. As baladas, os bondes acontecem quase diariamente, sem falar das drogas ilícitas (pedras e pós) que consomem junto com o álcool nesse eventos, em especial com a idade entre os 12 e os 19 anos.
        “Adote seu filho antes que um traficante o faça” (do prf Vagner Horta, Band TV).

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