O que determina o sucesso de uma organização educacional?

Em 2007 eu escrevi uma série de 3 textos para a Humus Educacional publicar em seu newsletter. O último deles, que tem o título O Sistema Educativo do Brasil, foi publicado aqui. Como os temas estão mais atuais do que nunca, resolvi postar os dois primeiros textos, um de cada vez, para vocês lerem e criticarem.

O primeiro está abaixo e o próximo será postado na próxima semana. Boa leitura!

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O que determina o sucesso de uma organização educacional?

 

No último artigo, publicado pela Humus News em novembro de 2007, deixei um questionamento: o que determina o sucesso de uma organização educacional? Escuto essa questão desde o primeiro projeto de gestão estratégica que trabalhei, realizado em uma pequena escola do Rio de Janeiro. E desde então a resposta é a mesma: ninguém pode garantir o sucesso rápido de um negócio educacional sem antes conhecer profundamente suas crenças educacionais, metodologias, equipes de funcionários e docentes, plano de desenvolvimento de pessoal, além da sua missão, visão e plano estratégico.

O sucesso de uma empresa não pode ser determinado apenas por uma ação, um projeto ou uma dimensão do negócio. O sucesso é sempre conseqüência de uma série de atitudes organizacionais, frutos de escolhas acertadas do seu gestor, sempre coerentes às crenças educacionais traduzidas em metodologias aplicadas em sala de aula.

Mas, para começar a pensar nas atitudes organizacionais é necessário entender o que é o serviço educacional. Segundo LOVELOCK e WRIGHT (2001), o serviço educacional é classificado como ações intangíveis, de entrega contínua, realizadas simultaneamente entre a organização e seu cliente, e, apesar de proporcionar um alto contato pessoal, é de baixa customização. A competitividade do setor educacional leva o cliente a perceber que o serviço pode ser agregado a valores até então não cobrados, como por exemplo, instalações físicas compatíveis com o valor pago, melhor atendimento aos pais, participação no processo de decisão pedagógica e inserção de novas tecnologias à educação. E, já que o cliente é aquele que recebe e usufrui o serviço educacional, não é possível restringi-lo apenas a atividade de aprendizagem do aluno.

Os estudos já realizados sobre o sucesso em organizações educacionais apontam que é necessário investir em metodologias e pessoas. A dissertação de mestrado de SANTOS (2000), por exemplo, propõe a análise do comportamento de atração e manutenção de alunos em escolas de idiomas. Como resultado a autora afirma que quanto maior o tempo de permanência de professores na instituição, maior a taxa de manutenção dos alunos.

Em artigo apresentado por MARTINS (2004) no XXVIII Encontro da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Administração – EnANPAD, são relacionados o desempenho educacional e o desempenho financeiro em uma organização educacional de Ensino Básico. Segundo o autor, realizar investimentos no gerenciamento de práticas relacionadas à melhoria de indicadores de desempenho educacionais, provavelmente resultará em desempenho financeiro satisfatório. Isso quer dizer que ao determinar, acompanhar e gerenciar indicadores educacionais, com desenvolvimento ou incorporação de novas metodologias, a organização educacional estará mais próxima da melhoria de seu resultado financeiro. E isso só é possível se a escola investir em seu quadro de profissionais que trabalham com o desenvolvimento educacional (coordenadores, professores e auxiliares).

Esses estudos indicam que, ao investir em novas metodologias educacionais e na capacitação e manutenção dos professores, a escola consegue obter melhores resultados gerenciais, financeiros e pedagógicos, já que essa se torna a melhor maneira de tangibilizar o serviço educacional.

Em uma organização que viabiliza a construção de conhecimento, como uma escola, a primeira ação a ser tomada para o desenvolvimento de pessoas é a identificação do potencial de conhecimento da organização. É necessário buscar o que a organização sabe e transformar este conhecimento tácito em conhecimento reutilizável e acessível. A segunda ação é garantir a criação de conhecimentos únicos, que podem ser aproveitados em atividades criadoras de valor ou com a finalidade de melhorar a utilização de conhecimentos considerados públicos, por estarem acessíveis a todos, sejam da empresa ou de seus concorrentes (PORTER, FAJEY e NARAYANAN, apud VON KROGH, 2001). E em uma atividade em que trabalhamos com pessoas para educar pessoas, a organização apenas constrói conhecimento se todos os colaboradores (do zelador ao diretor) participarem ativamente do processo.

Portanto, são compreendidos como fatores críticos de sucesso para uma organização educacional: o desenvolvimento do processo de gestão do conhecimento alinhado à clareza da visão da empresa por sua liderança; a valorização e manutenção do quadro de professores e funcionários; e o desenvolvimento dos colaboradores da organização.

Mas, como as empresas que não são do setor educacional entendem a relação entre o conhecimento e o sucesso? O National Institute of Standards and Technology – NIST realiza, desde 1987, o Baldrige National Quality Program, que estabelece critérios educacionais para excelência em performance para a premiação de empresas dos Estados Unidos. Os critérios foram desenhados para ajudar organizações a desenvolver sistemas de gerenciamento de performance e monitoramento de resultados em três principais áreas:

  1. Qualidade da educação e da estabilidade organizacional;
  2. Eficácia organizacional e capacitações;
  3. Aprendizagem organizacional e pessoal.

Ao determinar as áreas a serem avaliadas, o Instituto leva em consideração valores e conceitos relacionados à liderança, aprendizagem voltada para a educação, capacidade de aprendizagem dos indivíduos da empresa, qualidade dos colaboradores de apoio e parceiros estratégicos, agilidade, foco no futuro, capacidade de gerenciamento de inovações, gerenciamento de fatos imediatos, responsabilidade social, foco no resultado e na criação de valor e atendimento das necessidades dos clientes.

Os fatores analisados pelo Instituto se confundem com os descritos anteriormente. Ao prezar pela qualidade dos colaboradores de apoio, compreende-se que todos da organização educacional devem ser desenvolvidos. Ao cobrar a manutenção do foco no futuro, deposita-se sobre a liderança da organização a manutenção da clareza da visão aliada ao desenvolvimento do processo de gestão do conhecimento. Ao analisar a capacidade de aprendizagem dos indivíduos da escola, questiona-se sobre a competência que a organização adquiriu para atrair, desenvolver e manter os professores e demais colaboradores.

Dessa maneira, compreende-se que, para as organizações educacionais, os fatores críticos de sucesso estão relacionados com o poder de atrair e manter talentos através do desenvolvimento dos seus colaboradores, mantendo em sua liderança pessoas capazes de alinhar a visão da empresa com o desejo de todos.

Essa conclusão traz outro questionamento: COMO atrair, manter e desenvolver talentos em organizações educacionais, respeitando o orçamento? Não deixe de ler a resposta no próximo artigo.

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