A formação do novo professor

Conforme prometido, aqui vai o terceiro e último texto escrito em 2008 para publicação no newsletter da Humus Educacional.

O interessante é que o tempo passa e os problemas não são resolvidos.

A partir de amanhã publicarei novos textos, analisando o cenário atual e esclarecendo problemas e soluções sobre a Gestão de colégios. Você tem uma sugestão de tema? Comente ou envie e-mail.

Boa leitura!

Saiba mais

O que determina o sucesso de uma organização educacional?

Em 2007 eu escrevi uma série de 3 textos para a Humus Educacional publicar em seu newsletter. O último deles, que tem o título O Sistema Educativo do Brasil, foi publicado aqui. Como os temas estão mais atuais do que nunca, resolvi postar os dois primeiros textos, um de cada vez, para vocês lerem e criticarem.

O primeiro está abaixo e o próximo será postado na próxima semana. Boa leitura!

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O que determina o sucesso de uma organização educacional?

 

No último artigo, publicado pela Humus News em novembro de 2007, deixei um questionamento: o que determina o sucesso de uma organização educacional? Escuto essa questão desde o primeiro projeto de gestão estratégica que trabalhei, realizado em uma pequena escola do Rio de Janeiro. E desde então a resposta é a mesma: ninguém pode garantir o sucesso rápido de um negócio educacional sem antes conhecer profundamente suas crenças educacionais, metodologias, equipes de funcionários e docentes, plano de desenvolvimento de pessoal, além da sua missão, visão e plano estratégico.

O sucesso de uma empresa não pode ser determinado apenas por uma ação, um projeto ou uma dimensão do negócio. O sucesso é sempre conseqüência de uma série de atitudes organizacionais, frutos de escolhas acertadas do seu gestor, sempre coerentes às crenças educacionais traduzidas em metodologias aplicadas em sala de aula.

Mas, para começar a pensar nas atitudes organizacionais é necessário entender o que é o serviço educacional. Segundo LOVELOCK e WRIGHT (2001), o serviço educacional é classificado como ações intangíveis, de entrega contínua, realizadas simultaneamente entre a organização e seu cliente, e, apesar de proporcionar um alto contato pessoal, é de baixa customização. A competitividade do setor educacional leva o cliente a perceber que o serviço pode ser agregado a valores até então não cobrados, como por exemplo, instalações físicas compatíveis com o valor pago, melhor atendimento aos pais, participação no processo de decisão pedagógica e inserção de novas tecnologias à educação. E, já que o cliente é aquele que recebe e usufrui o serviço educacional, não é possível restringi-lo apenas a atividade de aprendizagem do aluno.

Os estudos já realizados sobre o sucesso em organizações educacionais apontam que é necessário investir em metodologias e pessoas. A dissertação de mestrado de SANTOS (2000), por exemplo, propõe a análise do comportamento de atração e manutenção de alunos em escolas de idiomas. Como resultado a autora afirma que quanto maior o tempo de permanência de professores na instituição, maior a taxa de manutenção dos alunos.

Em artigo apresentado por MARTINS (2004) no XXVIII Encontro da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Administração – EnANPAD, são relacionados o desempenho educacional e o desempenho financeiro em uma organização educacional de Ensino Básico. Segundo o autor, realizar investimentos no gerenciamento de práticas relacionadas à melhoria de indicadores de desempenho educacionais, provavelmente resultará em desempenho financeiro satisfatório. Isso quer dizer que ao determinar, acompanhar e gerenciar indicadores educacionais, com desenvolvimento ou incorporação de novas metodologias, a organização educacional estará mais próxima da melhoria de seu resultado financeiro. E isso só é possível se a escola investir em seu quadro de profissionais que trabalham com o desenvolvimento educacional (coordenadores, professores e auxiliares).

Esses estudos indicam que, ao investir em novas metodologias educacionais e na capacitação e manutenção dos professores, a escola consegue obter melhores resultados gerenciais, financeiros e pedagógicos, já que essa se torna a melhor maneira de tangibilizar o serviço educacional.

Em uma organização que viabiliza a construção de conhecimento, como uma escola, a primeira ação a ser tomada para o desenvolvimento de pessoas é a identificação do potencial de conhecimento da organização. É necessário buscar o que a organização sabe e transformar este conhecimento tácito em conhecimento reutilizável e acessível. A segunda ação é garantir a criação de conhecimentos únicos, que podem ser aproveitados em atividades criadoras de valor ou com a finalidade de melhorar a utilização de conhecimentos considerados públicos, por estarem acessíveis a todos, sejam da empresa ou de seus concorrentes (PORTER, FAJEY e NARAYANAN, apud VON KROGH, 2001). E em uma atividade em que trabalhamos com pessoas para educar pessoas, a organização apenas constrói conhecimento se todos os colaboradores (do zelador ao diretor) participarem ativamente do processo.

Portanto, são compreendidos como fatores críticos de sucesso para uma organização educacional: o desenvolvimento do processo de gestão do conhecimento alinhado à clareza da visão da empresa por sua liderança; a valorização e manutenção do quadro de professores e funcionários; e o desenvolvimento dos colaboradores da organização.

Mas, como as empresas que não são do setor educacional entendem a relação entre o conhecimento e o sucesso? O National Institute of Standards and Technology – NIST realiza, desde 1987, o Baldrige National Quality Program, que estabelece critérios educacionais para excelência em performance para a premiação de empresas dos Estados Unidos. Os critérios foram desenhados para ajudar organizações a desenvolver sistemas de gerenciamento de performance e monitoramento de resultados em três principais áreas:

  1. Qualidade da educação e da estabilidade organizacional;
  2. Eficácia organizacional e capacitações;
  3. Aprendizagem organizacional e pessoal.

Ao determinar as áreas a serem avaliadas, o Instituto leva em consideração valores e conceitos relacionados à liderança, aprendizagem voltada para a educação, capacidade de aprendizagem dos indivíduos da empresa, qualidade dos colaboradores de apoio e parceiros estratégicos, agilidade, foco no futuro, capacidade de gerenciamento de inovações, gerenciamento de fatos imediatos, responsabilidade social, foco no resultado e na criação de valor e atendimento das necessidades dos clientes.

Os fatores analisados pelo Instituto se confundem com os descritos anteriormente. Ao prezar pela qualidade dos colaboradores de apoio, compreende-se que todos da organização educacional devem ser desenvolvidos. Ao cobrar a manutenção do foco no futuro, deposita-se sobre a liderança da organização a manutenção da clareza da visão aliada ao desenvolvimento do processo de gestão do conhecimento. Ao analisar a capacidade de aprendizagem dos indivíduos da escola, questiona-se sobre a competência que a organização adquiriu para atrair, desenvolver e manter os professores e demais colaboradores.

Dessa maneira, compreende-se que, para as organizações educacionais, os fatores críticos de sucesso estão relacionados com o poder de atrair e manter talentos através do desenvolvimento dos seus colaboradores, mantendo em sua liderança pessoas capazes de alinhar a visão da empresa com o desejo de todos.

Essa conclusão traz outro questionamento: COMO atrair, manter e desenvolver talentos em organizações educacionais, respeitando o orçamento? Não deixe de ler a resposta no próximo artigo.

Orçamento Educacional e Gestão

O histórico das empresas educacionais privadas no Brasil mostra que as que estão presentes há mais de 20 anos no mercado foram criadas por educadores apaixonados, grupos religiosos ou associações de classe, ligadas a outro país ou de interesse comum. Em todos esses casos o processo de gestão não era o maior complicador, e sim o desenvolvimento educacional.

Nos últimos 20 anos, percebemos, em geral, dois movimentos distintos: criação de novas empresas no ramo educacional por parte de grupos empresariais e aumento da concorrência, fruto do aumento da quantidade de vagas e/ou diminuição na quantidade de clientes. Nos dois casos a consequência imediata é o aumento da concorrência e a necessidade de aliar a preocupação com o desenvolvimento educacional com o desenvolvimento em gestão.

Os antigos Diretores, que já tinham a preocupação em garantir a qualidade educacional, passaram a investir seu tempo em entender como os colégios podem dar resultados financeiros positivos. Os novos Diretores, que já ingressaram no mercado com essa preocupação, também se ocupam em entender como o colégio pode progredir financeiramente.

Para entender esse caminho da gestão algumas metodologias aplicadas em empresas de outros segmentos foram trazidas para o setor educacional. Falou-se sobre Down Size, Reengenharia, Gestão por Resultados e outros. A questão é que a maior parte delas foi encapsulada como soluções mágicas, sem serem adaptadas ao setor educacional e testadas em colégios dos mais variados portes. A esse problema soma-se a falta de produção acadêmica em gestão educacional. O tema é pouco estudado em Universidades públicas ou privadas, que não possuem linhas de pesquisas na área em seus programas de mestrado e doutorado.

Como solucionamos a questão? Em primeiro lugar precisamos tratar o colégio como uma empresa, sem dissociar o pedagógico do administrativo. Gestão é tudo e não apenas uma parte. Depois precisamos aceitar que as ferramentas de gestão que não foram criadas para o setor educacional podem, e devem, ser usadas, desde que sejam adaptadas e testadas. Por fim, precisamos integrar todos no planejamento, controle e avaliação da empresa, sejam no âmbito educacional ou administrativo.

A metodologia de Orçamento e Gestão parte do princípio que um colégio é uma empresa que precisa trazer resultados educacionais e financeiros positivos para sua mantenedora, seja ela com ou sem fins lucrativos. A partir do momento em que esse princípio ficar claro toda comunidade educativa, o colégio precisa integrar suas principais áreas para seu planejamento.

No ponto de vista da Gestão, tratamos esse tema com base em um orçamento único para o colégio. Ele deve contemplar o desenvolvimento educacional e respeitar o resultado financeiro esperado pela mantenedora. Para sua realização é preciso avaliar alguns pontos:

  • O colégio tem seu planejamento educacional elaborado para o período de, no mínimo, 5 anos?
  • O colégio sabe quem é seu cliente, de onde ele vem e o que ele espera como resultado educacional para seu filho?
  • O colégio sabe quais são seus custos e os classifica?
  • O colégio sabe quais são suas receitas e as classifica?

Depois desses pontos determinados o colégio terá a base da elaboração do seu orçamento.

E para que serve o orçamento?

Em primeiro lugar o exercício pela elaboração de um orçamento traz para a gestão do colégio a memória dos seus gastos, registra resultados e expõe com detalhes de onde vem a receita e para onde vão os gastos. Ao realizar um orçamento o colégio tem uma ótima oportunidade de compartilhar decisões de investimentos e despesas gerais com a área pedagógica, sem expor necessariamente seu resultado. Por fim, o orçamento deve ser usado como instrumento de acompanhamento da gestão de um colégio, tendo seu resultado comparado com sua execução, ano a ano.

Quer entender mais sobre a elaboração de um orçamento, através de ferramenta simples e eficaz, e depois aprender como acompanhar sua execução? Faça o curso Orçamento e Gestão Financeira: Como Preparar sua Escola para 2012 que eu realizarei em conjunto com a DMC Consultoria e Treinamento.

Enviarei os detalhes em breve.


Playing for Change

Você já ouviu falar no projeto Playing for Change? Não? Então deixa eu explicar rapidamente.

 Um sujeito chamado Mark Johnson resolveu promover a paz mundial através da música. A partir daí ele pegou seu notebook, uma câmera, 3 bons microfones e alguns fones de ouvido. Escolheu músicas que dizem mensagens de paz, esperança, amizade, sabedoria. Depois ele escolheu um artista de rua que usa apenas sua voz e violão. Gravou uma música completa e passou a viajar ao redor do planeta gravando outros artistas de rua acompanhando, com voz ou outros instrumentos, a gravação original.

 Junte tudo isso em uma edição simples mas honesta, com sobreposição de sons e vozes, e você terá o resultado da integração cultural mundial.

 Emocione-se com o projeto. Acesse o Playing for Change e cante junto, ria, espalhe a idéia, compre um souvenir e baixe as músicas.

 Forte abraço

Evolução da construção civil americana

Sem comentários.

 

 

Clique aquie veja.

Criação de beeple. Visto em Jacaré Banguela e no Brogui.

A tecnologia como discussão

É interessante o que uma pessoa faz pra passar o tempo. Alguns dormem, outros jogam, poucos leem, talvez pela dificuldade de acesso a algo que gostam de ler, e raros escrevem. Eu faço um pouco de cada.
Nesse momento escrevo para passar o tempo de uma viagem. Por falta de papel e caneta, misturado com um enjoo eterno por escrever em um ônibus, uso meu dispositivo eletrônico e um pouco de paciência em usar apenas dois dedos. E o legal é que preciso monitorar o sinal da internet para terminar a escrita quando ele permitir que eu coloque o texto no blog.
Mas chega de assunto chato. O objetivo aqui é passar o tempo com a ajuda da interpretação. Enquanto escuto meu podcast e escrevo, penso no que trabalho. Essa semana fui convidado para liderar um grupo de estudos no meu trabalho sobre tecnologia. Será que tecnologia é isso que estou fazendo? Acho que não. Encaro a tecnologia como a facilidade de fazer o que queremos na hora que desejamos.
Isso não é simples. Mas a simplicidade é o desafio. O mote do grupo de estudos partirá daqui. Tentarei encaminhar a discussão pela usabilidade, acesso e, o que pra mim é o principal problema, o conteúdo. Essa discussão vai dar o que falar.
Conteúdo pode ser gerado por qualquer um? Quem regula o que é conteúdo válido? O que é conteúdo válido? Até que ponto podemos ser provedores de conteúdos sem prejudicar nossa vida pessoal e profissional? Qual o papel das empresas na disponibilização de conteúdo? Será que esse não deveria ser o papel do governo, em paralelo com os investimentos já realizados em equipamentos e acesso?
Aguardem os resultados do grupo de estudos nesse espaço.
Forte abraço!

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